sexta-feira, 5 de junho de 2009

O CHORO DE RAQUEL

Gabriela Nunes Araújo,
8 anos, de Rio Claro, SP, uma das
vítimas da violência contra crianças.

“Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos e não querendo ser consolada, porque já não existem” (Mt 2.18).

Esse texto é usado nas Escrituras em momentos de grande dor provocada pela violência e associado a filhos: em Jeremias, na deportação do povo e, em Mateus, na matança dos meninos decretada por ocasião do nascimento de Jesus.
Esse também poderia ser o nosso lamento, do povo de Deus, pela dor de milhares de mães pelo Brasil.
Segundo o Núcleo de Estudos da Violência, NEV, da Universidade de São Paulo, uma criança é assassinada a cada dez horas em nosso pais. Em seis anos, o Ministério da Saúde registrou 5.049 homicídios de meninos e meninas com idades até 14 anos. Segundo o NEV, esses números foram levantados pelo Jornal O Globo, na base de dados do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade) e correspondem a informações divulgadas entre 2000 e 2005.
A violência contra crianças nos recorda, entre outras, de duas mortes no ano passado. A da pequena Isabella Nardoni, em São Paulo, com cinco anos, morta por agressão, cujos acusados são o pai e a madrasta, e também a de João Hélio, no Rio de Janeiro, com seis anos, arrastado por ladrões em um carro. A agonia das duas crianças não foi capaz de sensibilizar seus agressores.Recentemente, um caso que chocou o país foi o de Gabriela, de oito anos, assassinada dentro da sua casa em Rio Claro, interior de São Paulo. Um rapaz de 17 anos entrou com outro jovem para roubar a residência e, surpreendido pelo disparo do alarme, atirou contra a menina. Como entender uma violência tão gratuita? A mãe de Gabriela qualificou de monstro o assassino, talvez porque não queremos classificar como ser humano alguém que tem a coragem de matar uma criança.
Diante da violência, somos levados a perder a crença na humanidade. A sociedade cria, instintivamente, certos limites para a sobrevivência. Se nem mesmo a criança está acima da nossa maldade e sequer a família e o lar são seguros, o que será?
Na Palavra de Deus, sobreviventes de situações de violência, como Moisés e alguns dos profetas, levantaram-se com uma mensagem de esperança e salvação, inclusive com ações práticas de preservação da vida e de sua nação. Assim como eles, que a nossa geração se levante, anunciando por palavras e atitudes a Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, aquele que é capaz de consolar, além da compreensão humana, até aqueles que achamos que não podem ser consolados. “E a paz de Deus, que excede a todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus” (Fp 4-7).
(Publicado em O Jornal Batista, ed. 07 de junho de 2009)

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