quinta-feira, 3 de setembro de 2009

SONHO E PESADELO - MÉDICO OU MONSTRO?


Mulheres cheias de sonhos. Elas querem ser mães, embalar um bebê nos braços, e o tratamento na clínica do médico Roger Abdelmassih - especialista em reprodução -, após tantas tentativas frustradas de engravidar, enche o coração de esperança. Usam boa parte das economias para arcarem com os custos médicos e submetem os seus corpos a uma série de tratamentos, muitas vezes dolorosos, vencendo as etapas uma a uma.
Em algum momento do relacionamento médico-paciente muitas dessas mulheres, talvez um número incalculável delas, se sentem incomodadas: É o toque, são as palavras, toda a configuração do tratamento que incomoda. Por que ele dopa as pacientes? Por que alguns procedimentos são realizados sem a presença de uma assistente? Mas como suspeitar daquele médico paparicado pela mídia e consultado por mulheres famosas? Será que estavam loucas?
Pacientes tinham confirmadas suas suspeitas de abuso quando iam voltando à consciência após a sedação e se deparavam com atitudes inconvenientes e, conforme acusações, criminosas. O sonho tornara-se pesadelo. E calaram. Quase todas. Mas algumas, acordando da inércia, da letargia, resolveram falar. E foi uma, e outra, e mais outra, até agora 56 mulheres que denunciaram a violência sexual da qual foram vítimas. O médico, talvez monstro, agora preso e com seu registro suspenso, aguardará o julgamento e, se comprovadas as denúncias, será condenado. As primeiras queixas já vinham desde a década de 1970, portanto há cerca de 40 anos! Por quatro décadas esse homem é acusado de abusar de mulheres e somente agora é punido!
Por que muitas mulheres se calaram tanto tempo? Por que mulheres se calam frente a abusos e violência contra o seu corpo e seus direitos como ser humano? Ao longo da história, anseios femininos transformaram-se em pesadelo, porque alguém simplesmente decidiu macular a busca pela realização dos desejos mais íntimos e verdadeiros. Ao invés da alegria, tristeza; ao invés de se realizarem como seres plenos diante de Deus, enfrentam frustração e constrangimento por falta de mecanismos e espaços sociais e religiosos que deem credibilidade às suas palavras e sustentem suas reivindicações. Ainda há de se questionar a lucidez comprometida de uma grande parcela de mulheres, dopadas pela cultura, convicções teológicas equivocadas, coerção social e às vezes eclesiológica que as tornam vítimas em potencial de violência contra seus próprios sonhos e esperanças.
É preciso falar. O salmista afirma que “enquanto calei (...) envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia” (Salmo 32.3) e, apesar de o versículo estar em um contexto de confissão de pecados, pode ser aplicado à necessidade vital do ser humano de falar sobre traumas, direitos e sonhos. E Deus, ele que é o Verbo e habitou entre nós, e levou nossas dores como mulheres, certamente virá ao nosso encontro, como “voz que clama no deserto”, e então “os caminhos tortuosos serão retificados, e os escabrosos, aplanados, e toda a carne verá a salvação do nosso Deus”(Lucas 3.4).
(Publicado em OJB em 060909)

2 comentários:

  1. Não vi seu e-mail, envio por aqui...Pastora e amiga, este é um texto do meu blog, gostaria de saber a sua posição/ beijos / Ana Maria - www.mulherez.blogspot.com
    ÚLTIMA PALAVRA
    Declaradamente não chegaram a mim dizendo que eu estava errada, mas apontaram eu sei, julgaram, eu sei... Analisando o período em que me casei, ano de 1978, se sei contar, foram 8 separações, feitas numa igreja tradicional evangélica. Aonde está o êrro?

    Tentei por várias vezes chegar à alguma conclusão, mas em vão. Sinto hoje, sinceramente, que alguns pastores nos vêem de maneira diferente, talvez em seu conceito, nós mulheres é que não estamos conseguindo segurar as rédeas de um casamento. Nós mulheres é que somos intolerantes. Vi certa vez a pregação do Missionário R.R. Soares sobre a postura do homem como cabeça num casamento. Uma leitora perguntando como nós mulheres deveríamos agir, quando o homem não quer, não deseja ser cabeça, assumindo o papel de provedor do lar. Ele ficou sem jeito e disse que, daí sim, as rédeas são nossas.

    Particularmente senti isso na pele, porque eu na verdade não queria dar a última palavra, queria sim conversar a respeito das atitudes a serem tomadas em relação à casa, filhos, profissão. Porém, se tudo dava certo, "éramos nós quem tínhamos feito", se algo dava errado "foi você quem fez..." como Adão culpando Eva lá no paraíso.

    As mulheres não tomam as rédeas, porque querem eram, mas porque são obrigadas, diante de casa, filhos, obrigações financeiras. É fato que mais de 51% das mulheres são provedoras de seus lares...blá...blá...blás . Enquanto que a maioria dos homens partem para um novo relacionamento, lembrando da música "levanta, sacode a poeira e dá volta por cima". Muitos sequer são amigos dos filhos gerados em outras relações.

    Sinto por parte de pastores embora não digam, rejeição em relação à nós muheres. Com a frase "atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher..." e, e o inverso? Atrás de um homem sem escrupulos, como ficamos? rsrsrs
    Eu quero uma resposta, eu procuro uma resposta, mas infelizmente não as encontro. Deus não perguntou-me se eu era capaz, mas capacitou-me a ser Pâe (mistura de pai e mãe), e não é fácil os filhos aceitarem uma mulher no comando do barco. Éramos seis... hoje compro, pago, contrato pedreiro, estico orçamento, sem pensão que jamais corri atrás, Deus tem sido o meu socorro bem presente na angustia, literalmente dizendo. A sociedade hoje é obrigada a aceitar-me, e quanto aos pastores como veem a mulher só, no comando de uma família?

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  2. Parabens pelo seu blog, é uma bençao que Deus continue te abençoando sempre... visite meu blog, passa lá e comenta. te vejo por lá.

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