terça-feira, 24 de junho de 2014

PREPARO DE MULHERES PARA O MINISTÉRIO - EDUCAÇÃO CRISTÃ MISSIONÁRIA

Este texto é um tributo às instituições da União Feminina Missionária Batista do Brasil que têm se dedicado há mais de 90 anos a formar mulheres chamadas por Deus para o ministério.

O que faz uma jovem do Amazonas viajar para Recife, PE, em 1917, quando os transportes eram tão difíceis, para estudar a Bíblia? O chamado de Deus! Josefa Silva queria habilitar-se para o ministério com crianças. Mas quando chegou à cidade, o Seminário Batista do Norte do Brasil não recebia mulheres. Foi o casal Taylor, missionários pioneiros batistas, quem a acolheu e, juntamente com ela, gradativamente, outras jovens, nascendo assim o Seminário de Educação Cristã, SEC.
No Rio de Janeiro, cinco anos depois, em 1922, nascia o Centro Integrado de Educação e Missões, Ciem, como anexo do Colégio Batista Brasileiro porque o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil também não recebia mulheres.
Já são mais de 90 anos de história de cada uma dessas instituições, mais de 60 deles sob a direção da União Feminina Missionária Batista do Brasil, UFMBB, que as assumiu na década de 1940.
Quando os hoje Ciem e SEC surgiram, nossa República se firmava e o Brasil ainda era rural. Nossas igrejas batistas começavam a usufruir uma certa liberdade para crescimento e os pastores eram poucos. Ao lado dos Seminários no Norte, Sul e Equatorial que formavam os homens, o Ciem e o Sec, formavam mulheres em um ambiente cultural e religioso extremamente machista quando ainda nem se falava em feminismo, como querem alguns interpretar que seja o motivo de mulheres se apresentarem hoje para o ministério.
Acredito que esse "ardor missionario" tão valorizado, com razão, por nossa Denominação, deve-se em grande parte à ênfase em Missões no preparo de centenas de mulheres ao longo dessas décadas e ao trabalho de divulgação missionária e incentivo às vocações e sustento como base do ministério da UFMBB.
Em um dos dias da Assembleia da CBB em Foz do Iguaçu, PR, em janeiro de 2012,  almocei com a diretora do SEC, Profa. Ábia Saldanha Figueirêdo. Emocionei-me ao ouvir suas histórias de luta pela sobrevivência institucional e financeira do SEC nos últimos anos, que também foi atingido pelas crises pelas quais passaram as instituições batistas de preparo teológico e ministerial. Falou-me dos embates ideológicos nos plenários da convenção e do seu empenho de fé e trabalho para a conservação do patrimônio e o preparo daqueles que lá estudam. Diante dela,  fui pensando nas dezenas de mulheres que passaram pela UFMBB, SEC e IBER ao longo dessas décadas, cada uma trilhando o seu caminho de fé, coragem e obediência para que chegássemos até aqui e deixando marcas na sua geração.
Hoje, o Ciem e o SEC preparam homens e mulheres, como também todas as demais instituições da denominação, demonstrando que os tempos são outros e que não é possível mais haver barreiras, tanto para o preparo quanto para o ministério.
Pessoas preparadas por estas instituições são pastores(as), “ministros(as) de educação cristã, ação social, música, crianças e missões; são secretários(as), professores(as) de colégios e universidades. São dirigentes de centros sociais, de creches ou estão liderando os Centros Missionários de nosso país. São missionários(as) da JMN, JMM e nos estados. Muitos(as) estão em outros países pregando o evangelho a toda criatura, enquanto outros(as) estão aqui segurando as cordas e promovendo missões” (site do SEC).

Como aquela menina do Amazonas,  lembro-me do dia em que, atendendo ao chamado de Deus, fui de São Paulo para o Rio de Janeiro, uma caminhada longa para mim, a fim de preparar-me para o ministério e de como essa atitude mudou a minha história. Que outras pessoas vocacionadas, especialmente mulheres desta geração, também tenham a coragem de empreender a sua caminhada de fé, coragem e obediência.

Publicado em OJB 22junho2014

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