terça-feira, 3 de setembro de 2013

FAMÍLIAS: E O MILAGRE TAMBÉM



Uma pesquisa em livros e na internet a respeito de famílias me fez constatar algo surpreendente, pelo menos para mim. Fiquei impressionada como grande parte das soluções apontadas  em livros e sites cristãos são humanistas.  Pouca coisa li que indicava o poder de oração e da aplicação dos ensinos da Palavra para a solução de problemas familiares. 
À medida que o tempo passa, que a escolaridade aumenta, há uma tendência de encararmos como se tudo pudesse ser resolvido por meios humanos. Diálogo, terapia, compreensão e outros são alguns dos caminhos indicados para solução de problemas familiares, mas todos nós temos experiência de ver famílias ou viver nossas próprias situações em que, mesmo fazendo tudo isso, não há mudança.

Se por um lado acusamos outros segmentos evangélicos de só esperar que alguma solução venha do céu, por outro lado muitas vezes caímos no extremo de confiar somente em soluções humanas. Não que as ferramentas já apontadas não sejam importantes, são sim, e muito, mas elas são apenas uma parte da solução.

Creio firmemente que nossas batalhas são vencidas primeiro no céu porque tudo o que nos diz respeito é espiritual: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efésios 6:12).

Acima de qualquer outra providência, precisamos esperar em Deus todos os dias. Que expressão significativa esta:  “Guia-me na tua verdade, e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; por ti estou esperando todo o dia” (Salmos 25:5).  Havia um anseio no coração do salmista para encontrar-se com o Senhor, estar na sua presença e desfrutar da sua companhia. Mas nesse encontro havia um propósito: que Deus o dirigisse, que lhe indicasse o caminho e que ele fosse ensinado cada dia a andar na verdade. Como precisamos em nossas lutas ter um encontro com o Senhor todos os dias!

Muitos caminhos são propostos para a solução de problemas, para atendermos as carências emocionais, para trabalharmos com as dificuldades dos relacionamentos e para os diversos desafios famíliares.   No entanto, nosso coração deve estar firme no propósito de, em primeiro lugar,  buscar ao Senhor em oração para que ele faça o milagre de transformação nos corações e mentes, de dentro para fora, aquele que só o Espírito Santo pode fazer.
(Zenilda Reggiani Cintra, publicado em OJB 25ago13)

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O OLHAR DO PAI (DIA DOS PAIS) - JOGRAL

Autoria: Pra. Zenilda Reggiani Cintra

Hoje é um dia muito especial dedicado aos pais. Pais que marcam a vida dos filhos quando os olham como grandes presentes recebidos de Deus

Há o olhar do pai que se alegra quando sabe que a mulher amada espera um bebê que ele já imagina lindo e a cara do pai ou a princesinha dos seus sonhos.
 Pai cujo olhar se enternece ao ouvir a palavra papai pela primeira vez e com os passinhos vacilantes do filho que caminha ao seu encontro.
Pai de olhar cansado que leva seu pequenino sonolento todos os dias ao colégio, atrapalhado com mochila, lancheira e casaco.
Pai que enche os olhos de lágrimas ao ouvir sua linda criança cantando pela primeira vez em sua homenagem no coralzinho que ele jamais viu igual.
Pai que olha seus pequenos e fala do amor de Deus; que pode orar enquanto o coraçãozinho confiante entrega a sua vida a Jesus e que toca a cabeça dos filhos enquanto dormem, suplicando a bênção de Deus em oração.
Posso também ver a expressão triste do pai que perde seu emprego e teme pelo futuro de seus amados;
Pai que vê o futuro com confiança e  caminha quilômetros ou anda de transporte público para economizar um pouco e ampliar a casa, pequena para a família que cresceu.
Pai com olhar de bondade que busca seus filhos tarde da noite ou que se levanta de madrugada para levá-los ao colégio ou trabalho.
Pai que olha com misericórdia o filho envolvido com vícios e más companhias e que o busca em meio à maldade humana e à violência da terra. Que olha para o Pai do Céu e suplica por transformação e restauração e se alegra ao constatar a volta do filho amado.
Posso também pensar no olhar do pai que se emociona com um beijo, um abraço, um telefonema, um e-mail ou a imagem e voz do filho distante, benefícios da tecnologia.
Pai que olha vitoriosamente para o filho que recebe o seu diploma, que consegue o trabalho dos sonhos ou que constitui sua família, bênção para o justo que pode embalar os filhos dos seus filhos.
No rosto de cada pai, aos poucos, as linhas se definem mais, os cabelos se tornam gradativamente brancos e escassos, o corpo perde as suas forças e a voz às vezes é vacilante.
E em meio a vida que se vai, o olhar brilha, cheio de amor, cada vez que contempla o rosto do filho ou da filha amada - o olhar do meu pai!

domingo, 4 de agosto de 2013

O PAI QUE EU QUERIA - Homenagem


(autor desconhecido – adaptado)

1 - Papai do Céu

2 - Como é que você sabia

3 - Que de todos os pais do mundo,

4 - Era este que eu queria?
 
 
5 - Que trabalha com amor

6 - Pra poder me agasalhar

7-  E se esforça o tempo todo

8 – Pra me amar e educar.
 
 
9 -  Eu me sinto tão feliz

10 - Pelo pai que você me deu

11 - Que bom se todas as crianças

12- Tivessem um pai como meu!


Veja também DEUS FEZ OS PAIS

quarta-feira, 31 de julho de 2013

MULHERES NA MINHA HISTÓRIA

Resolvi dia desses fazer um doce de banana. Não sou muito de inventar na cozinha porque fui de um segmento da minha geração cuja última coisa que gostaríamos de fazer como mulheres era cozinhar. Tive que aprender e desenvolver amor por essa tarefa porque decidi constituir família e entendi que comida tem a ver com demonstração de amor. Existe coisa mais gostosa do que estar reunida com a família ao redor da mesa?

Pois bem, então fui fazer o doce. Descasquei as bananas, cortei-as em pedaços e lembrei que alguém, mãe? avó? tinha me falado que queimar o açúcar e colocar depois a banana deixava o doce com aquela cor bonita e foi o que fiz. Em seguida, lembrei-me que alguma mulher, irmã? tia? tinha me ensinado que doce de banana precisa ter cravos para aprimorar o sabor e, então, coloquei-os. Pensei: qual é o ponto do doce? Lembrei-me que uma amiga? irmã da igreja? deu-me a dica que o doce está bom quando começa a despregar do fundo da panela. E não é que o doce ficou uma delícia! Todos gostaram e logo não havia sobrado mais nada.

Fiquei pensando quantas mulheres influenciaram a minha vida nas mais diversas áreas e me ajudaram a construir a minha identidade feminina, a maneira de portar como mulher, de cuidar de mim e das coisas do dia a dia, de trabalhar no Reino de Deus, de demonstrar amor, de escrever e tantos outros detalhes. Lembrei-me da minha mãe, das irmãs, das avós, das tias, das amigas, das professoras, das mulheres da Bíblia, das minhas companheiras de ministério e jornada cristã e tantas, tantas outras que marcaram e marcam a minha história e me fizeram ser quem sou. Pensei também que todas elas são resultado de outras mulheres que passaram por suas vidas e todas nós juntas somos frutos de muitas gerações. Que herança maravilhosa, que legado precioso que cada uma de nós tem!

É claro que nem tudo sempre é perfeito, mas é tão bom olhar para nós mesmas e gostar daquilo que vemos, do resultado da influência de tantas mulheres que se importaram conosco ou que Deus colocou em nossa genealogia. À medida que amadurecemos em Cristo e em nossa personalidade temos condições de lançar esse olhar de gratidão a Deus por nossa herança feminina, reconhecendo que tudo que aconteceu nos fez as pessoas que somos e nos dá as condições para fazermos diferença no mundo.

A influência que exercemos sobre a vida de outras mulheres, a começar daquelas que estão em nossas casas e famílias, mas também se estendendo às outras com as quais convivemos, é algo que precisa estar bem claro para nós. Trilhar um caminho de generosidade e de solidariedade ao invés de uma estrada solitária ou de competição e indiferença é o que nos dará a liga, o elo com as mulheres ao nosso redor.  Podemos nos ajudar de maneira informal ou na formalidade de um grupo com intencionalidade de crescimento. O fato é que precisamos umas das outras, das orientações, das palavras amigas, do encorajamento, das orações, do companheirismo e alegria que só o caminhar juntas pode nos oferecer. E aí então o resultado será muito saboroso, melhor ainda que o meu doce de banana.
(Pra. Zenilda Reggiani Cintra, publicado em Visão Missionária, UFMBB, 3T13)

VALE ESCURO

Dedico esse texto ao meu cunhado Hélio Soares de Souza e a minha querida amiga Rosa Bianchi

Como batista “de berço”, como alguns se referem hoje às pessoas que nasceram em lares cujos pais já eram batistas, participei de todas as organizações tradicionais de uma igreja, inclusive coros e conjuntos musicais. Acho que consigo ainda cantar muitos hinos dos Coros Sacros, do talentoso Artur Lakschevitz, e de outros autores que fizeram nossa hinódia.
 
Ainda no início da adolescência, já cantava em coros de adultos porque “tinha voz boa”, e nossa igreja era pequena e todos precisavam participar. Dentre as lembranças mais antigas, uma dessas músicas, de autoria de Mina Roch, sempre me vem à memória: "Pelo vale escuro seguirei Jesus/Mas por ti seguro vendo a tua luz/O meu passo incerto Tu dirigirás/Ao sentir-te perto, nunca perco a paz".
 
Ao longo da vida atravessei muitos vales e tenho acompanhado os vales escuros de muitas pessoas amadas. Quando passamos pelos vales das doenças, das perdas irreparáveis, das sombras infernais, das traições inimagináveis, das esperanças frustradas e tantos outros, não conseguimos compreender o porquê, o que realmente está acontecendo e nem as consequências para o futuro. Estar em vales escuros nos traz sentimentos de medo, de fragilidade, de impotência e de insegurança.
 
Quando todas as esperanças foram embora, dois discípulos, muito provavelmente Cleopas e Maria, sua esposa, estavam à caminho de casa em Emaús. Certamente havia uma tristeza profunda em seus corações para a qual talvez faltassem palavras, como acontece conosco, porque atravessavam um vale escuro com a morte de Jesus. Como seriam suas vidas a partir dali? O que fazer com os projetos, os sonhos e as esperanças? Como continuar a viver depois de tudo?
 
E então Jesus veio para estar com eles no vale. Nem sempre reconhecemos quando isso acontece; não conseguimos, por causa da dor, percebê-lo ali.  Mas ele estava lá, andando junto, dialogando, esclarecendo, entrando na casa e sentando ao redor da mesa. Bendita presença! Os discípulos ainda teriam que caminhar muito e passarem por muitos outros vales, mas a consolação da presença de Jesus, daquele “se importar”, estaria sempre com eles.
 
E o hino termina assim: “Breve a noite desce, noite de Emaús,/E meu ser carece de te ver, Jesus!/Companheiro amigo que ao meu lado vens,/Fica ó Deus comigo, infinito bem”.
(Zenilda Reggiani Cintra, publicado em OJB 140713)