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quinta-feira, 7 de março de 2013

O SOFRIMENTO FEMININO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

A premiação do Oscar para o filme As Aventuras de Pi, na categoria de Melhor Trilha Sonora, fez-me recordar da jovem indiana de 23 anos que morreu, no final de dezembro de 2012,  como vítima de estupro. Ela voltava para casa com o namorado depois de assistir esse filme em um Shopping de Nova Delhi, quando tomaram um ônibus e os seis homens que estavam no veículo estupraram e torturaram a mulher de maneira brutal. Eles espancaram também o namorado e jogaram os dois fora do veículo em movimento, deixando-a à beira da morte. Jyoti Singh Pandey morreu 13 dias depois com falência múltipla dos órgãos.

O que esse fato tem a ver com o Dia Internacional da Mulher? O dia 08 de março, desde a sua origem, é uma data para chamar atenção sobre os direitos e a defesa da mulher diante da violência e discriminação que tem como raiz a desvalorização do sexo feminino. A ONU também abraçou a data com o objetivo de levar a sociedade a refletir sobre as formas de enfrentar as desigualdades de gênero. Os governantes e sociedades são pressionados a elaborarem políticas públicas anti-discriminatórias, além de promover ações para a conquista da cidadania plena das mulheres.

A violência sofrida pela jovem indiana reflete a cumplicidade de uma cultura que acredita que uma mulher andar na rua significa que ela está pedindo para ser estuprada. Esse é um tema doloroso pela violência do ato, pela desumanidade do agressor, pela violação extrema do corpo, pela dor psicológica e pelo medo de uma gravidez, uma doença e do julgamento social. E também, em muitas ocasiões, pelo descaso da polícia e da sociedade, que vitimiza a mulher ao não acreditar nela, ao dizer que ela 'facilitou' o ataque pela sua roupa 'indecente', por ter andado numa rua deserta ou ter aberto a porta para aquele conhecido em quem confiava e que a atacou.

O estupro é apenas um dos problemas que as mulheres enfrentam. Há ainda muitos outros como, por exemplo, em pleno século XXI, mulheres sofrerem a mutilação genital, uma prática cultural de alguns países africanos, que causa marcas e sofrimentos permanentes, físicos e psicológicos. Impedir que mulheres tenham acesso à educação e vida profissional é outra realidade enfrentada por mulheres e que veio à tona, mais uma vez, com a divulgação da violência sofrida pela adolescente paquistanesa de 15 anos, Malala Yousufzai, em outubro passado, que levou um tiro na cabeça que deformou o seu rosto por defender o direito à educação para mulheres.

Esses sofrimentos femininos estão muito mais perto de nós que às vezes possamos pensar. Podemos ainda mencionar o tráfico de mulheres para a prostituição, a imposição de casamentos, os salários injustos e a exploração sexual de meninas. Outro flagelo é o sequestro para casamento e trabalho escravo de jovens mulheres em países hoje afetados pela restrição da natalidade há alguns anos atrás e que levou muitos casais a abortarem meninas. E são tantas, tantas outras violências morais, físicas, psicológicas e religiosas, muitas vezes inomináveis, frutos do preconceito e da desvalorização da mulher como ser humano.

Como povo de Deus, não podemos ficar indiferentes ao que acontece com as mulheres. Comemorar esse dia significa refletir a respeito do valor que Deus atribui a cada mulher, rever nossos conceitos e a hermenêutica dos textos bíblicos, muitos deles ainda interpretados à luz dos mais tristes preconceitos culturais contra a mulher, confortáveis para aqueles que usufruem do poder nos mais diversos contextos ou para aqueles que são subservientes a ele. Seria uma ocasião própria para que nossos seminários, por exemplo, promovessem eventos teológicos para examinar esta questão da mulher sob diferentes óticas e não apenas para reforçar conceitos defasados e oportunistas.

Essa data também oferece uma oportunidade singular de intercessão, de cobrir as mulheres do mundo com oração, de olhar para as que sofrem como resultado dos preconceitos culturais para os quais estaríamos irremediavelmente condenados, não fosse Jesus Cristo, o seu amor e a sua cruz. Também é uma oportunidade de ação, sob a autoridade do Mestre, que diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que... enviou-me para proclamar libertação aos cativos... para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Luc. 4.18,19).
(Pra. Zenilda Reggiani Cintra, publicado em O Jornal Batista, 10março2013)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Marcha das Mulheres Livres (Marcha das Vadias)

Hoje em dia as mulheres são taxadas de vadias por qualquer motivo. Jovens, meninas, mulheres de todas as idades recebem esse adjetivo até mesmo de outras mulheres, por causa de discussões, diferenças de opiniões, rivalidades, brigas com namorados ou maridos e, pasmem, até mesmo quando a mulher é estuprada, por mais incrível que pareça.

Foi por este último motivo que surgiu a Marcha das Vadias, que acontece no último final de semana de maio, em vários locais no Brasil, como parte de um movimento internacional. O nome veio em razão da palavra de um policial canadense a respeito de segurança em uma universidade na qual estavam acontecendo vários casos de estupro. Como medida de prevenção, orientou as mulheres a não se vestirem como vadias.  

As palavras do policial se tornaram o mote para a marcha, um protesto contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro pediram isso devido as suas vestimentas. Para impactar a opinião pública, as participantes usam roupas provocantes como blusinhas transparentes, lingeries, saias, salto alto ou apenas sutiã e escrevem frases pelo corpo.

É lógico que a roupa da mulher, ou a falta dela, não justifica o estupro, mas isso não significa que concordamos que uma mulher possa vestir-se de maneira indiscreta, expondo o seu corpo indevidamente. Mas ainda que assim seja, nada justifica o estupro, ou o uso da palavra vadia para ofender uma mulher e, muito menos, como nome para uma Marcha. "Pra mim, o nome ideal seria 'Marcha das Mulheres Livres', mas não teria tanto impacto na mídia", opina Tica Moreno, blogueira militante (www.tpmrevista.com.br).

As mulheres enfatizam um termo pelo qual são estigmatizadas, procurando dar a ele um significado positivo. "Eu acho muito difícil reapropriar o significado de um nome”, afirma Lola Aronovich, professora da Universidade Federal do Ceará, e cronista de cinema, também na revista TPM.

É lamentável que uma mulher cristã não possa participar de um ato de protesto, legítimo e que busca a justiça, por causa da maneira como ele acontece. Sentimo-nos constrangidas pelo nome e pela forma como as mulheres são expostas na marcha. Não é porque uma mulher cristã é escolarizada e militante que se justificam atitudes que depõem contra seu testemunho cristão, por mais que saibamos que devemos empreender todos os esforços para combater o estupro.

Muitos dos sofismas deste tempo trabalham sutilmente contra os nossos valores mais profundos e relativizam a integridade de uma mulher. Nossa maneira de lutar também passa pela ética cristã: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus” (II Ct 10.3).
(Pra. Zenilda Reggiani Cintra, publicado em OJB 08julho2012)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

ONU cria entidade para a igualdade de gênero e empoderamento das mulheres

As Nações Unidas fizeram história hoje, o dia em que ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres - oficialmente iniciou o seu trabalho. Esta nova e ambiciosa organização consolida e expande as ações da ONU para orientar o avanço da igualdade de gênero, oferecendo a promessa de um progresso acelerado para o cumprimento dos direitos das mulheres em todo o mundo.

Conhecida formalmente como a Entidade da ONU para a Igualdade entre os Gêneros e o Empoderamento da Mulher, ONU Mulheres surgiu de um acordo entre os Estados-Membros da ONU – com um forte respaldo do movimento global de mulheres, segundo o qual deve ser feito muito mais para que as mulheres possam exigir igualdade de direitos e oportunidades.
“ONU Mulheres impulsará consideravelmente os esforços da ONU para promover a igualdade de gênero, expandir as oportunidades e superar a discriminação ao redor do mundo”, declarou o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon.
 “Este é um momento de grandes esperanças”, disse a Diretora-Executiva de ONU Mulheres, Michelle Bachelet, ex – presidenta do Chile. “Estamos diante da oportunidade histórica de acelerar as conquistas daquilo que se trabalhou durante anos da parte daquelas e daqueles que advogam pela igualdade de gênero”.
Com início em 1º de janeiro de 2011, ONU Mulheres foi criada em Assembleia Geral da ONU de julho de 2010, sendo construída a partir do trabalho de quatro instâncias das Nações Unidas, cuja atuação se concentrava na igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres:

• Divisão para o Avanço das Mulheres (DAW, criada em 1946)

• Instituto Internacional de Pesquisas e Capacitação para a Promoção da Mulher (INSTRAW, criada em 1976)

• Escritório de Assessoria Especial em Questões de Gênero (OSAGI, criada em 1997)

• Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM, criada em 1976)
 Durante muitas décadas, a ONU fez progressos significativos na promoção da igualdade de gênero através de acordos marco, tais como a Declaração e a Plataforma de Ação de Beijing e da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. A igualdade de gênero não é apenas um direito humano básico, mas a sua concretização tem enormes implicações socioeconômicas. O empoderamento das mulheres é um catalisador para a prosperidade da economia, estimulando a produtividade e o crescimento.
No entanto, as desigualdades de gênero permanecem profundamente arraigadas em cada sociedade. Mulheres em todas as partes do mundo sofrem violência e discriminação e estão subrepresentadas em processos decisórios. Altas taxas de mortalidade materna continuam a ser motivo de vergonha global. Por muitos anos, a ONU tem enfrentado sérios desafios nos seus esforços para promover a igualdade de gênero no mundo, incluindo a descentralização dos financiamentos e ausência de uma única instância para controlar as atividades da ONU em questões de igualdade de gênero.

Pleno funcionamento

ONU Mulheres tem duas funções principais: irá apoiar os organismos intergovernamentais como a Comissão sobre o Status da Mulher na formulação de políticas, padrões e normas globais, e vai ajudar os Estados-membros a implementar estas normas, fornecendo apoio técnico e financeiro adequado para os países que o solicitem, bem como estabelecendo parcerias eficazes com a sociedade civil. Também ajudará o Sistema ONU a ser responsável pelos seus próprios compromissos sobre a igualdade de gênero, incluindo o acompanhamento regular do progresso do Sistema.
(Fonte: http://www.unifem.org.br/ - 07.01.11)